Começa outra semana da Queima, nome curto para a Queima das Fitas, essa festa sem alegria, de estudantes que exprimem a sua maioridade na sua autodestruição pelo álcool.
Mas mais que a banalidade do ritual do consumo idiota de shots e concertos pimba patrocinados por uma marca de cerveja, há outra coisa pior acima disto tudo: a institucionalização da mediocridade e estupidez.
Que muitos indivíduos achem que maioridade é consumir até à regurgitação, e que divertimento é perder as memórias da sua experiência consciente, é uma coisa.
Outra coisa é ver faculdades que dispensam os meninos das aulas. Porquê? Porque os meninos estão de ressaca, coitadinhos.
E outra coisa ainda é ver o INEM com ambulâncias e um pavilhão com médicos no recinto. Para quê? Para que os meninos se possam autodestruir em segurança.
Quando instituições validam assim estes comportamentos, perde-se tanto em educação para responsabilidade, não perde?
Só que não é só que isso que se perde. Noutro lado da cidade, cidadãos que liguem para o 112 terão menos ambulâncias disponíveis para serem atendidos para urgências médicas sérias. Isto porque há meninos e meninas que estão a soro, assustados por um lado com a ideia dos seus paizinhos virem a descobrir o seu triste espectáculo, mas por outro à espera de que a sua ida ao INEM lhes ateste entre os colegas de faculdade da sua valentia na ingestão de álcool.
E isto é a institucionalização da estupidez.


Pois, mas a Queima move uns milhares de €s, e a minha dor de barriga ou a tua costela partida são despesas para o estado. Assim, desde que os grandes do “sector da festarola” estejam envolvidos, até lá põem um bispo para quem se quiser confessar. Ah pois!