Não branqueiem os votos em branco

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Foi infrutífera a minha procura pela grande imprensa nacional dos resultados dos votos em branco. Nem na televisão nem imprensa escrita consegui apurar as percentagens daqueles votos (4,6%), apesar de publicarem alegremente a percentagem do PNR (0,37%), numa das televisões aliás a rodar em rodapé, com logótipo, dando-lhe bom tempo de antena. A mensagem que passa é que parece que em democracia é preferível votar em racismo que não votar em nenhum partido.

E se somarmos os votos nulos aos votos em branco, ficamos com 6,63%. Como podem ignorar estes números, se aqueles votos representam mais que a soma de todos os partidos com menos votos que o CDS?

É que se o dever da imprensa é informar, e se o voto contempla a possibilidade do voto em branco, ficarmos privados da divulgação dum tipo de expressão legítima dos cidadãos eleitores assemelha-se a um acto de censura e a um acto de propaganda informativa.

É dever de informação e direito de expressão todos os cidadãos verem discriminados nos resultados eleitorais os seus votos, incluindo aqueles em branco. A expressão da abstenção é diferente da expressão de alguém que faz questão em votar, para votar em branco. Um voto em branco é um voto. E é um voto muito expressivo.

Apesar das vozes partidárias apelarem ao voto para si mesmos como voto de protesto ao partido do outro, para mim o voto de protesto mais eloquente é mesmo o voto em branco.

Por isso, senhores políticos, não nos ignorem. Não ignorem o descontentamento, nem alienem mais os cidadãos da justa participação eleitoral. Senão, qualquer dia passamos todos a expressarmo-nos pela abstenção.

E também, senhores jornalistas, não nos censurem. Senão passaremos também a abstermo-nos de ver as vossas reportagens e de comprar os vossos jornais.

Os votos em branco não são abstenção, nem são «outros» partidos. São mesmo votos em branco.
Nas últimas semanas vi vários filmes seguidos sobre o problema do nazismo: Resistentes, O Leitor, O Rapaz do Pijama às Riscas, Valquíria. Também A Onda, e O Complexo Baader Meinhof, ainda que estes o abordem duma forma indirecta.

A mim, como julgo que a outros espectadores eticamente sãos, durante a projecção destes filmes não me parece possível que possamos deixar de pensar cada um, uma mesma coisa: Mas como raio isto foi possível acontecer?

E às tantas, de tanto ver o mesmo problema relatado no ecrã filme após filme, ainda que a homenagem à memória histórica seja justificação bastante, quase que se me esvanecia a pertinência social de tantos tratamentos. Afinal, como dizia uma personagem do filme A Onda, «hoje somos demasiado esclarecidos para que isto volte a acontecer».

Já agora, quase todos estes filmes foram produzidos por produtoras europeias, o que pode indiciar uma certa preocupação velho-continental em trazer à discussão e à renovada consideração dos espectadores toda a problemática da instauração de ditaduras e das consequências éticas da política desumanizada que ainda não tenha sido totalmente resolvida. E de repente ocorreu-me que tal é mais verdade do que até ali pensava.

Em tão pouco tempo, de ver tantos filmes sobre um mesmo tema, ocorreu-me que se calhar andamos todos a ver o problema duma forma demasiado estreita: não é apenas das ditaduras e do discurso de ódio que devemos nos atentar e precaver para que tal não volte a acontecer.

Sob o risco de estar a ser simplista, posso crer que na Alemanha de Hitler houvesse muita gente que desconhecesse o genocídio, mas outros tantos estariam conscientes e informados de que havia toda uma população que estava a ser vítima de tratamento no mínimo desumano. Só que pelo efeito da desresponsabilização social, mais um ignorar activo sobre uma questão que sabiam existir mas que desagradava pensar, ou que na qual receavam envolver-se, tantos outros foram autores de actos contra a humanidade por omissão.

Quando o caro leitor se encontra a ver um destes filmes sobre o período nazi, talvez pense que vivesse naquele tempo e naquele lugar, que muito certamente ajudaria os judeus e as causas que visassem destronar o regime nazi. Com toda aquela música e colocando-se o espectador no lugar do herói do filme, não imagina para si outro papel que não o salvador da humanidade, contra todo um crime, ali sintetizado no ecrã, tão horrendo quão óbvio.

Ou então se o caro leitor tivesse sido diplomata, imagina quando vê um dos documentários respectivos na televisão, conseguiria até superar facilmente os feitos dum Oskar Schindler ou um Aristides de Sousa Mendes.

Sabendo o que sabemos hoje, nós no passado teríamos sido concerteza todos uns salvadores da condição humana, todos uns grandes lutadores contra crimes contra a humanidade.

Só que isto é uma grande treta, porque neste preciso momento estamos a ser os mesmos nazis que aqueles da década de 40 do século XX.

Todos. Neste preciso momento.

Acaso o leitor desconhece que neste preciso momento há toda uma parte da humanidade a morrer uma morte indigna?

O genocídio dos nossos dias é a fome que mata selectivamente todos aqueles que carecem dos recursos económicos para se sustentarem a si mesmos. Não sabia?

Sobretudo nos países pobres, mas também dentre a população dos países mais desenvolvidos, estamos a deixar que morram aqueles que sabemos que estão a morrer.

Não por desconhecimento, não porque não possamos fazer nada. Estamos a deixá-los morrer por indiferença.

Ao contrário de tantos alemães, não temos a recear as represálias duma tabuleta Judenfreund nazi; não podemos é não ser amigos de quem morre sem culpa. Ninguém nos fará mal por fazermos alguma coisa por ajudar. Não temos desculpa nenhuma se não o fizermos.

Do fazer, o que poderíamos fazer? Acho que a maior alavancagem para a resolução do problema seria fazer o que estamos a fazer hoje com o problema do nazismo: alertar para o problema, recordá-lo de seguida, insistir nos vários tratamentos possíveis nos grandes veículos de comunicação de artes e ideias - até que cada um dos espectadores do fluxo de comunicação actual, perante o problema da morte pela fome, traga para si o problema, faça dele o seu, se inconforme, se proponha como agente de mudança.

Recordo-me agora que, enquanto aluno de Cinema na Escola Superior Artística do Porto, tive como professor de Análise de Filmes o professor Melo Ferreira, que nas suas aulas estimulava periodicamente debates entre os alunos sobre filmes normalmente fora do circuito comercial. Mas quando os debates se tornavam intensos em volta de questões estéticas e filosóficas do cinema, o professor Melo Ferreira interrompia tudo - e fez isto mais do que uma vez - com um «sim, estas questões todas são muito interessantes, mas lembrem-se que enquanto vocês discutem arte do cinema, há pessoas a morrer de fome». E calávamo-nos todos. Não tanto em consideração pelo assunto tão sério e trazido tão subitamente, mas pelo brilhante relativizar de dois temas que naquela escola artística poderiam igualmente ali mesmo servir de mote para um novo debate do ponto de vista puramente ideológico e abstracto. Mesmo assim ninguém dizia nada, para não arriscar um cliché que nos desvalorizasse o figuraço de artista. Às vezes, nem mesmo à frente dos olhos nos damos conta que as questões que realmente importam são mesmo aquilo que parecem.

Mas importa insistir. Se interrompermos o fluir de entretenimento repetitivo e se convidarmos ao pensar sobre este tema as vezes que forem precisas, eventualmente cristalizar-se-á na nossa sociedade uma nova superfície de emergência que orientará então a inteligência e a imaginação de todos para a resolução do problema da fome dos outros.

Nem eu nem ninguém, creio, temos a solução derradeira para a fome. Mas julgo que a incubação por ideias novas e eficientes por parte de cada um dos indivíduos que podem pensar sobre estas questões só se dará início quando se perguntarem, talvez pela primeira vez mesmo a sério: Mas como raio foi possível termos deixado isto acontecer?

O Contra Informação jaz panfleto

Que o Contra Informação não tem graça nenhuma há muitos anos, todos sabemos. É que não basta referenciar a actualidade, para fazer um programa de humor -- é preciso ter piada mesmo. Agora porque os programas portugueses sem graça persistem no ar durante muito para além daquilo que é razoável, isso acho já que ninguém sabe.

No passado dia 26 de Janeiro, o jornalista Mário Crespo entrevistou o Ministro da Presidência Pedro Silva Pereira, assim:

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As reacções dos espectadores que publicam na Internet a esta entrevista, incluíam coisas como:

«Mário Crespo falhou espectacularmente, até nas partes que lhe correram melhor. E porquê? Porque enquanto o Pedro se manteve dentro da responsabilidade institucional e política que se exige no seu cargo, o Mário foi para a entrevista como se fosse juiz num tribunal sem advogados.» -- Valupi, autor do «Demasiado Crespo» no Aspirina B

«Sublime a firmeza do Ministro e o frio tratamento de "Sr. Crespo" com que encerrou aquele duelo. Grande lição de dignidade dada por PSP» -- Aires Burstoff em comentário ao Demasiado Crespo

«Farto-me de rever a coça do Silva Pereira no Mário Crespo. Aquilo é um tratado de como enervar um entrevistador. Dir. de campanha: aprendam!» -- raul_pereira no Twitter

«"O tio era, ou não, tio do Primeiro-Ministro?" não me parece grande sinal de "coragem" mas de alguém que perdeu completamente o pé, o tino, o senso, a calma, o profissionalismo e será certamente um das frases do ano.» -- Gabriel Silva em comentário no Blasfémias
Agora atente-se no tratamento que a produção do Contra Informação fez à dita entrevista:



Repare-se que a paródia não tem graça por dois motivos: um, que o humor assente no exagero - que não seria de si grande coisa como humor - não tem correspondência na entrevista real; e dois, que em vez do tal exagero esperado, o que assistimos é a uma distorção e deturpação da realidade a parodiar.

Ficamos então com a impressão de que a equipa do Contra Informação tem então um ou dois objectivos: o de salvar a imagem do Mário Crespo, ou o de atacar cegamente tudo o que é José Sócrates.

Que se queira defender um jornalista sério como Mário Crespo que terá tido um dia mau, e patinado ali em directo, é uma coisa. Caramba, até eu simpatizo com o homem! Que se queira atacar cegamente um representante dum partido ou duma personalidade pública, com ou sem razão, é outra.

Agora, usar um programa de humor passado imediatamente a seguir ao Telejornal para dar a impressão duma realidade diferente daquela que parodiam, acho isto muito suspeito.

O Contra Informação, que já não era há muito um programa de humor, aparece-nos assim como um panfleto político infeliz, como um tempo de antena revisteiro, como uma coisa muito triste e palerma.

A sua carta de condução é meia falsa

Pensei que era só a minha carta de condução portuguesa, mas já encontrei dentre amigos meus o mesmo problema: O nome do titular da carta de condução encontra-se incorrectamente representado. Se é cidadão português e tem carta de condução portuguesa, por favor confira-a agora mesmo.

Na minha carta, como em muitas outras, só o último apelido se encontra na secção Apelidos. Ou seja, se os meus apelidos são «da Costa Pinho», como se constata na certidão de nascimento e no passaporte, na carta só o «Pinho» se encontra na secção respectiva, estando os restantes na secção Nomes próprios, assim: «Ricardo José da Costa».

Tal nem é sequer possível formalmente, de acordo com as regras do Instituto de Registos e Notariado que diz que:

Nome completo - deve compor-se no máximo de seis vocábulos gramaticais, simples ou compostos, dos quais só dois podem corresponder ao nome próprio e quatro a apelidos.
Este é um problema que não só ofende os meus direitos de personalidade, como a servir de documento de identificação se apresenta como gravemente incorrecto -- o que pode até, num uso da carta de condução em países estrangeiros, incorrer-me no seu não reconhecimento.

Parece-me que cabe à Direcção-Geral de Viação ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres a reemissão de todas as cartas de condução que contenham este erro.
John August, argumentista, recorda no seu blog pessoal que Wherefore não significa where. Significa antes o equivalente em português ao conjuntivo «porque».

Por causa desse erro, diz John August, muitas representações de Romeu e Julieta são mal interpretadas na famosa cena de Julieta à varanda suspirando por Romeu.

No diálogo original, quando Julieta diz «O Romeo, Romeo, wherefore art thou Romeo?», ela não se encontra à espera de Romeu, olhando para aqui e para acolá a ver se ele responde para que ela saiba onde ele se encontra. O que Julieta está a dizer é na verdade um queixar, a Romeu, do facto do seu amado ser um Montéquio.

Esta correcção de John August é duma pertinência internacional, pois das várias traduções para a língua portuguesa que conheço, a frase encontra-se traduzida por «Ó Romeu, Romeu, onde estás tu, Romeu?» quando deveria ser algo como «Ó Romeu, Romeu, porque haverias de ser tu, Romeu?».

Se eu pudesse ter um super-poder

Eu e o Cachapa criámos esta questão como meme da blogosfera: Se pudesses ter um super-poder qualquer, qual seria? E, mais importante, que dez coisas farias com esse super-poder?

O meu super-poder seria a capacidade de produzir insultos verbais incapacitantes no seu destinatário.

Mas como todo o super-poder, este precisa duma história...

[Nota para o departamento de efeitos especiais: Ondular a imagem e inserir som de harpa aqui].

Um dia estaria eu no Mercado do Bolhão a comprar fruta num dia de chuva e trovoada, quando um relâmpago incrível atinge o mercado.

Ckaaaooo! Brum!

Através da estrutura em ferro o raio trespassa todas as vendedoras, acabando por concentrar toda a sua energia no centro exacto do mercado, onde eu próprio me encontraria.

Tzbzzz! Bz-tz.

Quando recuperasse a consciência, teria em meu redor as vendedoras que, com um discurso muito polido, me perguntavam se eu estava bem. Eu digo que sim, sem saber que a partir daquele momento a minha vida estaria diferente.

Ao voltar para casa, não deixei que um táxi se metesse na minha faixa de rodagem. O táxista da janela aberta, atira:

- Cabrão de "#$%, podias deixar ao menos os outros trabalhar!

O que activou uma sensação de hiperconsciência interna, uma súbita claridade intelectual, que me fez responder assim:

- Ó $%"#$!", e se $%"!"#$ "#$ !#$&%/& #$%"#4 seu $"#% /&%% "#$, lá mais o $%"#$% #$&%#$%&!"$.

O taxista sente a sua garganta apertar-se e não responde. Está roxo e tem lágrimas nos olhos.

Ao olhar para o retrovisor para saber do buzinar contínuo que deixei atrás de mim, vejo que o taxista jazia inconsciente sobre o volante.

«Meu Deus, que poder é este?», perguntava-me em voz alta, assustado com a responsabilidade daquele dom: Era o poder da malcriadeza de dezenas de vendedoras típicas da Cidade do Porto, concentradas numa só pessoa. Um herói tinha nascido.

Com o tempo, usaria assim este super-poder para contra-insultar as pessoas que fazem os bons cidadãos do mundo de parvos, assim:

  • Aqueles nazis das bichas, como em bilheteiras e caixas registadoras, que começam logo a mandar vir, em vez de chamar à atenção com educação, se alguém distraído passa à sua frente;
  • Gente da alfândega portuguesa, que me abre as encomendas postais e as sobre-avaliam com taxas incompreensíveis;
  • Operadores de atendimento a clientes de serviços de cliente, televisão por cabo e telemóveis, com as suas sugestões insultuosas à inteligência do cliente culpando-o por tudo;
  • Seguradoras. Nem é preciso dizer mais nada;
  • Pessoas que passam nas passadeiras com o sinal vermelho para peões e que ainda por cima insultam os automobilistas que não param;
  • Assim que fosse célebre, aceitava um convite para o Telejornal da TVI e insultava a Manuela Moura Guedes em directo até ela começar a deitar sangue pelos ouvidos;
  • E já que estou a pensar em celebridades que me irritam, insultaria também a Catarina Furtado com os seus tiques de parvinha, e o Victorino D'Almeida mais o seu pretensiosismo, a sua bengala, e o seu apóstrofo;
  • Tirava aqueles autarcas déspotas do seu trono, por muito grosseiros que fossem;
  • E graças ao poder neutralizador dos insultos da Ribeira do Porto, usaria-os para acabar com o crime de rua. «Dá-te o dinheiro mas é o $#%&$#%, 3#$%#$% 3$%#$%#$% %$#"/!! E podes meter essa navalha no #$$/%(#"%#%", ó seu /)(&$%#"!"%&"#$#"$"#$ e os teus amigos !"%"$#%&#$% /#%$&/%$"#$% "$#%"#$%».
  • Mandava fazer uma roupa de Lycra® em cores berrantes, com um asterisco, um cardinal e um raio no peito e dedicava-me a acudir a todos os cidadãos indefesos que viessem a precisar da ajuda do... Super Rude.
Como costume nestas coisas dos memes da blogosfera, passo o desafio a alguns colegas na blogosfera: Manuel Marques, Liliana Bouça, Shafik Mahomad, Hélder Sanches e Francisco Cardoso.

Umas dicas de Live Messenger

A melhor das dicas que posso dar para melhorar o uso do Live Messenger no Windows são duas definições que por acaso até se encontram lado a lado nas opções.

Indo a Opções, no separador Mensagens, sugiro que se active a opção Agrupar mensagens sequenciais de cada contacto e desactive a Permitir o envio e recepção de toques.

opcoesmessengerpeq.pngA primeira alteração vai fazer com que mensagens consecutivas dum mesmo contacto não sejam precedidas por um «Nome do contacto diz:» por cada mensagem. O ganho de espaço na janela, além da redução de texto redundante, é muito confortável.

A segunda alteração é mais óbvia: acabam-se os toques irritantes com janelas que tremem. Adicionalmente, a opção de envio dos mesmos toques fica desactivada para benefício da justiça e de todos os outros contactos.

Uma outra dica, para aumentar a privacidade das comunicações: Na escola ou no trabalho, o protocolo de dados do Messenger é passível de ser filtrado para se bisbilhotar nas comunicações dos seus utilizadores. E em todo o lado, as conversas pelo Messenger podem também ser espiadas quando ligado à Internet por WiFi insegura, por analisadores de pacotes de dados. Instalando o SimpLite da Secway, uma chave criptográfica encripta os dados das conversas, mantendo-as privadas entre utilizadores de Messenger que usam o SimpLite. O programa é gratuito e fácil de usar, e funciona com quase todos os clientes de mensageria instantânea para Windows.

Economia nudista

Quando nos acaba o champô no chuveiro, isso não costuma ser uma coisa trágica. Apertando-o energicamente umas quantas vezes, e lá conseguimos que seja cuspido para a mão uma porção significativa de champô.

E se no dia seguinte, já dentro do chuveiro, descobrirmos que nos esquecemos outra vez de comprar champô, então ainda temos a solução de apontar o jacto de água para dentro do frasco, agitá-lo para apanhar todos os restos de creme residentes no interior, e despejar o conteúdo directamente para cima da cabeça para que não se perca nem um bocadinho. Isso, estranhamente, é sempre mais que suficiente para fazer bastante espuma e resultar num cabelo bem lavado.

Essa estranheza prolonga-se naquela questão que surge daí, de que não estaremos nós a usar demasiado champô durante o resto do tempo?

Sabedoria da idade

Neste dia do meu aniversário aproveito para dizer aos mais novos que, hmm, não sei.

Artigos relacionados: O aclubista vai à bola.

O investimento como ajuda humanitária

O problema das nações pobres é por muito motivos um problema que diz respeito a todo o mundo. Mesmo que não fosse pela perspectiva humanitária, do ponto de vista económico creio que todo o mundo teria a ganhar se todo o planeta fosse, efectivamente, próspero

Imagine-se um mundo em que vez de empresas como a Nokia, BMW, Levi's, Toshiba, estarem limitadas a vender os seus produtos àqueles das nações prósperas com poder de compra, se pudessem vender também a toda a gente, de África e países pobres asiáticos? Pense-se no número de consumidores possíveis numa África como continente desenvolvido. Todos ganhariam. A própria possibilidade de poderem considerar comprar bens de consumo seria sinal duma conquista mais alargada.

Pensar na pobreza dos outros como motivo para nos sentirmos culpados por um momento, e nunca sair do modelo paternalista da esmola não me parece servir de muito.

Investir na educação e na competitividade dos países pobres seria não só um acto filantrópico, como economicamente estimulante para todo o mundo. Não como esmolas, mas como investimento mesmo. Não seria tratar os outros como parceiros de negócios a melhor forma de desenvolvimento humanitário pela economia?

Leva-me contigo

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